HONORÁRIOS MÉDICOS ATRASADOS: como se precaver de calotes e o que fazer quando isso acontecer?

Poucos profissionais imaginam que, depois de um dia cansativo, cumprindo plantões, realizando atendimentos ou executando procedimentos, ainda precisarão se preocupar se o pagamento vai realmente acontecer.

Mas essa situação é mais comum do que se imagina, infelizmente.

Em algumas modalidades de contratação, especialmente quando os serviços são prestados ao poder público por meio de empresas terceirizadas, cooperativas ou organizações sociais, atrasos no pagamento podem ocorrer durante mudanças de gestão ou em razão de problemas financeiros das instituições contratantes. Nessas situações, o médico cumpre sua parte do contrato, mas enfrenta dificuldades para receber pelos honorários.

A boa notícia é que existem formas de reduzir esse risco e saber como agir quando o problema acontece. A Metris explica os principais cuidados para proteger sua atuação e sua saúde financeira.

Nova resolução do CFM marca avanço no combate à inadimplência 

O assunto ganhou ainda mais relevância com a publicação da Resolução CFM nº2.462/2026, que fortalece o combate aos atrasos no pagamento de honorários médicos. A norma estabelece punições administrativas para pessoas jurídicas registradas no Conselho de Medicina que deixarem de cumprir suas obrigações financeiras com médicos, incluindo advertência, multa, suspensão temporária e, nos casos mais graves, o cancelamento do registro.

A resolução cria um mecanismo importante de responsabilização para clínicas, hospitais, empresas e demais prestadores de serviços de saúde, reforçando que o pagamento dos honorários também faz parte do exercício ético da medicina.

A medida surge como uma resposta a uma realidade enfrentada por muitos profissionais. Atrasos e inadimplência ainda são recorrentes, especialmente quando a prestação de serviços envolve intermediadores, organizações sociais (OSs), fundações, cooperativas e empresas gestoras de saúde e durante mudanças de gestão em contratos públicos, em alguns casos. E apesar do avanço regulatório, a melhor estratégia continua sendo a prevenção.

Essa mudança representa um avanço importante para a categoria porque reconhece oficialmente que o atraso recorrente de honorários não é apenas uma questão contratual, mas um problema que afeta diretamente o exercício profissional e a sustentabilidade da atividade médica.

A resolução aumenta a responsabilidade de hospitais, clínicas, cooperativas e demais pessoas jurídicas contratantes, criando consequências administrativas para quem descumpre suas obrigações financeiras. Embora a norma não substitua os mecanismos jurídicos de cobrança, ela reforça a proteção dos médicos e contribui para desestimular práticas que, durante muitos anos, foram tratadas como algo normal no setor.

Mas o que fazer quando o pagamento atrasa?

O primeiro passo é reunir todas as provas de prestação do serviço e agir rapidamente. Contratos, notas fiscais emitidas, escalas, folhas de ponto, comprovantes de prestação de serviço em geral e até mesmo mensagens trocadas com coordenadores e gestores. Ou seja, registros de cobrança em geral que serão fundamentais para comprovar o direito ao recebimento.

Muitos profissionais deixam passar semanas ou meses acreditando que o problema será resolvido espontaneamente. Em alguns casos, esse atraso na tomada de decisão acaba dificultando a recuperação dos valores.

Quando o pagamento não acontece dentro do prazo acordado, o ideal é:

  • registrar formalmente a cobrança;
  • solicitar posicionamento por escrito do contratante;
  • reunir toda a documentação da prestação de serviços;
  • buscar suporte jurídico especializado quando necessário;
  • comunicar o Conselho Regional de Medicina nos casos de inadimplemento remuneratório previstos pela Resolução CFM nº 2.462/2026.

A nova regulamentação do CFM também permite que médicos apresentem denúncias aos Conselhos Regionais de Medicina quando houver inadimplemento remuneratório devidamente comprovado.

Como reduzir o risco de inadimplência antes de assinar um contrato?

Quando surge uma nova oportunidade profissional, é natural que a atenção esteja voltada para a remuneração, carga horária e condições de trabalho.

Mas existe outra pergunta igualmente importante: quem está me contratando tem histórico de cumprir os pagamentos?

Antes de formalizar qualquer parceria, vale observar alguns pontos: 

  • situação cadastral e financeira da empresa contratante;
  • pesquisar a reputação da instituição entre outros médicos;
  • consultar se há ações judiciais recorrentes por falta de pagamento;
  • quando o contrato envolver o poder público, conhecer o histórico da gestão municipal e verificar se há registros de atrasos ou inadimplência com outros profissionais de saúde;
  • entender quem é o responsável pelo pagamento e quem responde pelo não pagamento;
  • conferir se o contrato estabelece prazos, forma de pagamento, penalidades por atraso e canais para cobrança.

EVITE ACORDOS EXCLUSIVAMENTE VERBAIS! Quanto mais detalhado for o contrato, menor será o espaço para interpretações diferentes quando surgirem problemas.

Já falamos mais sobre esse assunto no artigo sobre os principais pontos de atenção em contratos de PJ médica.

Contrato assinado não elimina riscos, mas oferece proteção

Alguns profissionais acreditam que o contrato por si só garante o recebimento quando na verdade, ele não impede atrasos ou inadimplência.

O contrato cria instrumentos para comprovar a relação comercial, definir responsabilidades e facilitar eventuais cobranças administrativas ou judiciais. Além disso, serve como uma importante prova caso seja necessário demonstrar que o serviço foi contratado, executado e ainda não remunerado.

É fundamental que o documento seja elaborado com clareza e detalhe as principais condições da relação profissional. Ele funciona como uma ferramenta de proteção para ambas as partes. O documento deve deixar claras questões como valores, prazos de pagamento, forma de faturamento, responsabilidades envolvidas na prestação dos serviços e as condições para eventual encerramento da parceria.

Quando essas definições estão bem estabelecidas desde o início, o médico reduz riscos, evita interpretações divergentes e ganha mais segurança caso seja necessário cobrar ou comprovar valores que não foram pagos.

A importância de não depender de um único pagador

Quando a maior parte da receita está concentrada em um único hospital, clínica ou empresa intermediadora, eventuais atrasos tendem a causar um impacto muito maior na saúde financeira da PJ, comprometendo o fluxo de caixa e aumentando a insegurança financeira do profissional.

Diversificar fontes de receita, organizar reservas financeiras e acompanhar o fluxo de caixa da PJ são medidas que ajudam a reduzir a vulnerabilidade da operação.

Nem sempre vai ser possível evitar um atraso. Mas é possível diminuir os impactos que ele vai gerar na sua rotina.

Gestão financeira também ajuda a prevenir prejuízos

Quando falamos sobre inadimplência, a conversa normalmente fica restrita aos aspectos jurídicos. Mas existe uma dimensão financeira igualmente importante.

Se você não possui uma visão clara das despesas da PJ, das reservas disponíveis, dos tributos que ainda precisam ser pagos e dos compromissos financeiros dos próximos meses, um atraso no recebimento pode comprometer toda a operação. O que inicialmente parece apenas um problema pontual pode acabar afetando o fluxo de caixa, dificultando o pagamento de obrigações e gerando um efeito cascata na organização financeira da empresa.

Acompanhar de perto a saúde financeira da PJ é tão importante quanto adotar medidas para cobrar os valores devidos. Afinal, quanto maior a visibilidade sobre faturamento, despesas, tributos e reservas financeiras, mais preparada a operação estará para lidar com imprevistos sem comprometer sua estabilidade.

Entenda como um parceiro contábil pode ajudar na criação de contratos mais seguros reduzindo os riscos para a sua PJ médica.

Receber em dia também faz parte da segurança da carreira médica

A medicina exige planejamento, responsabilidade e dedicação constante. A gestão financeira da PJ não deveria ser diferente.

Embora a nova resolução do CFM represente um avanço importante na proteção dos profissionais, a prevenção continua sendo o caminho mais seguro. Contratos bem estruturados, documentação organizada, análise cuidadosa dos parceiros e acompanhamento financeiro adequado ajudam a reduzir riscos e dão mais segurança para o médico focar naquilo que realmente importa: o exercício da profissão.

Na Metris, cuidamos de toda a gestão contábil da PJ, desde a abertura ou readequação do CNPJ médico. Aqui, realizamos o pagamento e monitoramento dos tributos da empresa, para que você tenha mais previsibilidade financeira e receba seus honorários com a tranquilidade de saber que as obrigações da PJ estão sendo acompanhadas por quem entende do assunto.

De especialistas para especialistas, nosso trabalho é simples: enquanto você cuida dos seus pacientes, a gente resolve a burocracia, acompanha a saúde financeira da sua PJ e ajuda você a tomar decisões com mais segurança ao longo da carreira.

Contabilidade estratégica para médicos: por que ter suporte especializado faz diferença na sua PJ.

Contabilidade declaratória cumpre regras, mas não avalia o todo

Grande parte dos médicos já viveu ou ainda vive uma relação limitada com a própria contabilidade.

O funcionamento costuma ser parecido:

  • as guias chegam perto do vencimento;
  • documentos são solicitados em cima da hora;
  • dúvidas recebem respostas rápidas e genéricas (isso se forem respondidas);
  • o contato acontece apenas quando existe algum problema.

O contador atua de forma operacional e reativa. Ou seja: ele apenas processa informações e entrega obrigações legais, mas sem acompanhar a estratégia financeira do médico.

Essa é a chamada “contabilidade declaratória”. Ela é importante para manter a empresa regularizada, mas normalmente não oferece a profundidade suficiente para apoiar o médico nas decisões importantes da rotina. E isso cria um cenário perigoso, onde o médico continua faturando, trabalhando e crescendo sem ter clareza sobre sua própria saúde financeira.

Por que a rotina médica exige um parceiro de negócio na contabilidade?

A carreira médica costuma envolver uma estrutura financeira mais complexa do que outras profissões. É muito comum que um mesmo profissional tenha:

  • diferentes fontes de renda;
  • contratos variados;
  • atendimentos em clínicas/hospitais diferentes;
  • recebimentos pela PJ médica e pela pessoa física;
  • distribuição de lucros;
  • contratação de equipe;
  • despesas operacionais;
  • variações no faturamento ao longo do ano.

Além disso, mudanças tributárias frequentes exigem um acompanhamento constante. Sem uma análise estratégica, o médico acaba, em muitos casos:

Na maioria das vezes, isso não acontece por falta de dedicação do profissional, acontece porque simplesmente não sobra tempo para acompanhar tudo sozinho.

RAIO-X FINANCEIRO: o olhar estratégico e atencioso de uma contabilidade proativa (consultiva) faz toda a diferença

Uma contabilidade proativa (ou consultiva) deixa de atuar apenas como executora de tarefas burocráticas e passa a acompanhar o funcionamento financeiro da operação médica.

Nesse modelo, o trabalho envolve analisar números com frequência, identificar riscos, antecipar cenários e apoiar decisões. É um trabalho que envolve: 

  • leitura estratégica do faturamento;
  • acompanhamento da carga tributária;
  • planejamento financeiro;
  • análise de custos;
  • orientação sobre retiradas e pró-labore;
  • organização do fluxo de caixa;
  • alertas preventivos;
  • revisão constante de oportunidades fiscais legais e muitas outras funcionalidades.

Existe um acompanhamento contínuo da operação e isso permite que o médico entenda melhor:

  • quanto sobra no final do mês
  • o que pode estar limitando o crescimento financeiro;
  • como organizar crescimento;
  • quando faz sentido expandir;
  • quais decisões podem aumentar riscos tributários;
  • como estruturar melhor a PJ ao longo do tempo.

Contabilidade preventiva: mais controle, menos surpresas

Um dos maiores benefícios de contar com uma contabilidade estratégica é evitar que problemas cresçam silenciosamente ao longo do tempo. Muitos médicos acabam procurando suporte apenas quando já enfrentam situações mais complexas, como impostos acumulados, inconsistências fiscais, dificuldades no fluxo de caixa, ausência de reservas financeiras, notificações da Receita ou até um aumento inesperado da tributação.

Só que, nesse estágio, normalmente o custo financeiro e operacional já é maior. Uma contabilidade consultiva trabalha justamente para reduzir esse tipo de cenário.

O acompanhamento frequente permite identificar desvios antes que eles se transformem em problemas relevantes.

O contador deixa de ser apenas operacional

No dia a dia, o contador passa a atuar como parceiro estratégico da carreira médica, acompanhando de perto o momento profissional do médico, seus objetivos financeiros, crescimento de faturamento, expansão da atuação, abertura de clínica, contratação de equipe e organização patrimonial.

Com essa visão mais completa da operação, as decisões deixam de acontecer apenas na urgência e passam a ser tomadas com mais planejamento e previsibilidade.

E isso importa porque o médico não deveria perder tempo tentando interpretar sozinho relatórios fiscais, acompanhar mudanças tributárias, resolver burocracias operacionais ou descobrir inconsistências financeiras no meio da rotina clínica.

Mais do que contabilidade, a PJ médica precisa de gestão contábil completa.

Na contabilidade consultiva, o acompanhamento vai além da parte fiscal. A gestão da PJ médica passa a incluir suporte operacional, financeiro e estratégico para facilitar a rotina do profissional no dia a dia.

Aqui na Metris, por exemplo, a proposta é completa: mais do que dar suporte, resolver. Assim, mais do que contabilidade, a gente faz a gestão contábil médica. Muito além da emissão e envio de Notas Fiscais, a gente também resolve:

  • credenciamento em novos locais de trabalho;
  • acompanhamento de pagamentos;
  • apoio na análise de contratos;
  • organização financeira da PJ;
  • acompanhamento tributário contínuo;
  • abertura ou readequação do CNPJ médico;
  • suporte contábil consultivo de ponta a ponta.

Sem planos engessados, o acompanhamento acontece de acordo com a necessidade real da operação médica, para que o profissional consiga focar na prática clínica enquanto a estrutura da PJ continua organizada, segura e funcionando corretamente.

Regularidade não é estratégia

Estar “em dia” com impostos não significa, necessariamente, ter uma operação saudável.

Muitos médicos mantêm a empresa regularizada enquanto convivem com:

Quando você escolhe uma contabilidade especializada, pode contar com o suporte contábil, administrativo e jurídico que a sua PJ necessita. Na hora de avaliar o trabalho do contador, é importante se perguntar: a contabilidade ajuda você a tomar decisões melhores?

O papel da Metris na evolução da carreira médica

Na Metris, a contabilidade não funciona no automático. Acompanhamos a rotina médica de forma próxima, estratégica e resolutiva. Cada operação tem necessidades diferentes e merece um acompanhamento que faça sentido para sua realidade.

Aqui, mais do que contar, a gente soma. O médico não recebe apenas guias e respostas genéricas. Recebe uma gestão contábil que olha para o curto, médio e longo prazo, sem atalhos fiscais que parecem vantajosos agora, mas viram problema depois.

Uma contabilidade de verdade não aparece só no vencimento da guia. Ela participa da construção de uma operação médica saudável, organizada e preparada para crescer de forma sustentável. 

Procura um parceiro estratégico na contabilidade? Fale com a gente.

Processo sucessório para médicos: organização patrimonial e societária além da herança

A seguir, explicamos por que esse tema merece atenção desde já e como ele se aplica à realidade médica.

Equiparação Hospitalar: quem tem direito ao benefício e como ajustar sua PJ médica para economizar?

O que vai mudar no Simples Nacional e na sua PJ médica

Como já explicamos aqui no blog,a principal proposta da reforma é simplificar a cobrança de tributos sobre o consumo. Na prática, cinco impostos atuais (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) darão lugar a dois novos:

  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): de competência estadual e municipal
  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): de competência federal

Esses novos tributos começam a ser testados em 2026 e entram em vigor gradualmente a partir de 2027, com uma transição que vai até 2033.

CONCLUSÃO

Fique atento: promessas falsas podem aumentar os gastos da sua PJ médica

É assim que se economiza de verdade: dentro da lei e sem riscos.

Conclusão

Contabilidade médica descomplicada: guia essencial para PJs

Cada vez mais médicos optam por atuar como pessoa jurídica. O modelo PJ, além de ser comum em hospitais, clínicas e laboratórios, pode oferecer vantagens tributárias e liberdade profissional. Mas é importante lembrar: abrir um CNPJ significa administrar uma empresa, com deveres que vão além da prática médica. Este guia mostra os principais compromissos financeiros que você precisa ter em mente para manter sua PJ em dia e evitar problemas fiscais.

Contrato de PJ médica: pontos de atenção para resguardar sua atuação. 

  • Benefícios e direitos: no modelo CLT, o médico tem direitos trabalhistas como férias remuneradas, 13º salário, FGTS, aviso prévio e estabilidade em alguns casos. Como PJ, esses direitos não existem; períodos de descanso ou bônus devem ser negociados e constar no contrato.
  • Tributação: na CLT, os impostos e contribuições são recolhidos automaticamente pelo empregador. No PJ, a carga tributária pode ser menor, mas o médico deve cuidar de todos os pagamentos: ISS, INSS como contribuinte individual e tributos da pessoa jurídica.
  • Autonomia e flexibilidade: no regime PJ, há liberdade para ter mais de um contrato, ajustar a própria agenda e buscar oportunidades em diferentes locais, o que pode aumentar o faturamento. Sob a CLT, geralmente há jornada fixa e exclusividade.
  • Risco de “falsa pejotização”: se a instituição exigir cumprimento de horário rígido e subordinação direta, o contrato pode ser interpretado como vínculo empregatício. Isso traz riscos jurídicos para ambas as partes e deve ser evitado com cláusulas claras.
  • Descrição dos serviços e remuneração: quais atividades serão realizadas, valores e forma de pagamento.
  • Prazo e rescisão: vigência, regras para término e aviso prévio.
  • Autonomia profissional: deixar claro que não há subordinação ou jornada imposta, para evitar risco de “pejotização”.
  • Obrigações e confidencialidade: responsabilidades de cada parte, sigilo profissional e proteção de dados de pacientes.
  • Resolução de conflitos: defina qual será o foro ou método de solução de eventuais divergências (mediação, arbitragem etc.).
  • Exclusividade sem contrapartida financeira: impede que você atue em outros locais sem oferecer benefício ou compensação adequada;
  • Multas desproporcionais;
  • Cláusulas genéricas ou vagas: termos como “responsabilidade total do médico” sem detalhar limites ou condições podem gerar conflitos;
  • Falta de previsão de reajuste: sem regras claras, o valor dos honorários pode ficar defasado;
  • Obrigações unilaterais;
  • Cobertura de despesas indefinidas: sem definir quais custos ficam por conta de cada parte, podem surgir cobranças inesperadas;
  • Subordinação ou imposição de horários: pode caracterizar “falsa pejotização”;
  • Ausência de cláusula sobre confidencialidade e sigilo: sem proteção formal, pode haver problemas legais relacionados a dados de pacientes;
  • Falta de previsão de resolução de conflitos: sem definir foro ou métodos (mediação, arbitragem), divergências podem se arrastar judicialmente.

CONCLUSÃO

A contratação PJ pode trazer vantagens financeiras e de autonomia, mas exige planejamento e uma boa estrutura jurídica e contábil. Na METRIS, apoiamos médicos em todas as etapas: desde a abertura e regularização da PJ até a emissão de notas fiscais e gestão tributária. Com orientação especializada, você ganha segurança para focar no que realmente importa. Nosso time conta com advogados especialistas em contratos e contadores preparados para auxiliar médicos PJ em todas as etapas. Fale com a gente!

CNAE para médicos PJ: o que é e como escolher o código certo 

Para o médico que atua como pessoa jurídica, e isso inclui a maioria dos plantonistas, o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) não é apenas uma formalidade. Ele é a base que define o que a sua empresa pode fazer, como será tributada e quais benefícios fiscais poderá acessar.

O código certo abre portas. O errado fecha oportunidades e abre margem para problemas fiscais.

O que é o CNAE?

O que ele faz na prática?

  • Define quais impostos incidem sobre o seu faturamento;
  • Indica se sua empresa pode optar pelo Simples Nacional;
  • Permite (ou bloqueia) o uso de benefícios como o Fator R;
  • Determina se a sua atividade exige licenças ou registros específicos (como no CRM).

Escolher um CNAE incompatível com a sua realidade pode gerar:

  • Exclusão do Simples Nacional;
  • Multas por exercício de atividade não declarada;
  • Cobrança retroativa de impostos;
  • Impedimento de emitir nota para determinados tomadores de serviço.

CNAE ideal para plantonistas

CRM: papel, obrigatoriedade descontos

O CRM ativo é obrigatório para atuar como médico, seja pessoa física ou jurídica. Isso significa que você precisa ter:

CRM pessoa física (registro profissional);

CRM da pessoa jurídica (registro da empresa no conselho).

Ao abrir uma PJ médica, há taxa de inscrição e anuidade do CRM da empresa. O valor total gira em torno de R$1.100 a R$1.500.

E o desconto?

Não existe um CNAE único que dê desconto. Para ter direito, a empresa precisa:

Ter no máximo dois sócios, sendo um deles médico;

Realizar apenas atividades médicas (sem exames complementares ou ensino);

Não possuir filiais;

Ter corpo clínico composto apenas pelos sócios médicos.

Quando  todos os critérios são atendidos, o desconto é automático: 80% na taxa de inscrição (R$1.170) e, a partir do segundo ano, 80% na anuidade. No primeiro ano, a anuidade é paga integralmente.

Atenção: CNAEs ligados à educação, como preceptoria, podem eliminar o direito a esses descontos, mesmo que o CNAE médico seja o principal.

Alguns conselhos regionais oferecem reduções em anuidades para PJs, sociedades uniprofissionais ou médicos recém-formados. No entanto, as regras variam conforme o estado e mudam com frequência.O ideal é confirmar diretamente no CRM do seu estado para saber se sua PJ pode se enquadrar. A equipe da METRIS entende as regras e pode planejar sua abertura de PJ para que você aproveite os dois descontos, tanto na inscrição quanto na anuidade.

CNAEs que não se aplicam (e podem ocasionar problemas)

Se o seu trabalho é exclusivamente como plantonista, atendendo em hospitais, clínicas ou prontos-socorros de terceiros, não use códigos que impliquem infraestrutura própria. Exemplos:

8630-5/01 — Atividade médica ambulatorial com recursos para realização de procedimentos cirúrgicos;

8630-5/02 — Atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares;

8630-5/99 — Outras atividades de atenção à saúde humana (perícias, medicina do trabalho, laudos etc.).

Esses códigos só devem ser adicionados como CNAE secundário se você realmente realizar essas atividades e tiver a estrutura necessária.

CNAEs secundários: quando vale incluir?

Adicionar CNAEs secundários pode ser útil se você:

Atua também como médico do trabalho (8630-5/99);

Realiza exames no próprio consultório (8630-5/02);

Executa procedimentos cirúrgicos ambulatoriais (8630-5/01).

Incluir CNAEs desnecessários pode aumentar a carga tributária, exigir licenças extras ou impedir benefícios, inclusive de anuidade/inscrição no CRM. Sempre converse com uma contabilidade especializada antes, como a METRIS.

E se eu escolher o CNAE errado?

Sim, é possível mudar, mas isso exige alteração contratual, processo pago na Junta Comercial, com valores que variam de estado para estado.

Dicas práticas para escolher e manter o CNAE certo

Defina a atividade principal: para plantonistas, normalmente será 8630-5/03.

Avalie CNAEs secundários: apenas se forem realmente necessários.

Converse com seu contador: ele deve conhecer a rotina médica e o impacto de cada CNAE no regime tributário e no CRM.

Revise periodicamente: mudanças na sua forma de atuação podem exigir ajustes.

Atenção ao Fator R: no Simples Nacional, ele pode reduzir a alíquota de ISS de 15–16% para cerca de 6%, desde que a folha seja proporcionalmente alta.

CONCLUSÃO

Na METRIS, cuidamos para que a parte burocrática não atrapalhe sua rotina médica. Orientamos sobre o CNAE mais adequado para sua PJ, garantindo enquadramento correto, aproveitamento de benefícios fiscais e conformidade com o CRM, tanto da pessoa física quanto da pessoa jurídica.

Também ajudamos a entender como os CNAEs impactam descontos no CRM e planejamos para que você aproveite as reduções máximas possíveis, evitando perdas em casos como o de CNAEs de educação. Assim, você atua com segurança, paga apenas o que é devido e mantém o foco no seu trabalho.

Fale com a METRIS e descubra como simplificar sua PJ médica, do CNAE ao registro no CRM.



Bitributação e bis in idem: o que é e por que acontece 

Quem atende como PJ sabe que não é fácil manter tudo em dia com o fiscal. Mesmo com o regime tributário definido e o contador acompanhando, há situações em que o médico pode acabar pagando o mesmo tributo duas vezes sobre a mesma receita. Isso tem nome: bitributação.

E embora seja ilegal, infelizmente, é comum e, muitas vezes, inevitável. Nesse texto, explicamos de onde ela vem, como identificar, e qual a diferença para o bis in idem, que é parecido, mas não idêntico.

Afinal, o que é bitributação?

A Bitributação acontece quando dois entes da federação (União, Estados ou Municípios) cobram o mesmo tributo sobre a mesma base de cálculo. O exemplo mais recorrente na área médica é o ISS, pago em duplicidade para municípios diferentes. A Constituição Federal é clara ao dizer que cada ente tem sua competência tributária definida, mas na prática, esses limites nem sempre são respeitados.

O bis in idem, por sua vez, ocorre quando a mesma jurisdição tributa repetidamente a mesma base. No dia a dia, é menos comum, mas igualmente ilegal.

Entenda a diferença

Como a bitributação pode afetar os médicos?

ISS cobrado em duplicidade por cidades diferentes:

Se você atende em mais de uma cidade, pode acabar pagando ISS no município onde a clínica é registrada e também onde o serviço é prestado.

ISS fixo cobrado de quem já paga pelo Simples Nacional:

Médicos optantes pelo Simples Nacional já recolhem o ISS por meio do DAS. No entanto, alguns municípios insistem em cobrar uma taxa fixa adicional, prática considerada ilegal.

Como já explicamos anteriormente no blog, o tipo de tributação escolhido pela sua PJ médica interfere diretamente no valor dos impostos pagos, e também no risco de cobranças indevidas, por isso frisamos a escolha cuidadosa do regime adequado ao seu perfil.

Como a sua contabilidade pode ajudar nisso?

Acompanhando de perto a realidade tributária, sugerindo ajustes sempre que necessário e, claro, dando todo o suporte e esclarecimentos necessários. Mas é importante ter clareza: quando há tentativa de bitributação de órgãos públicos, não há como impedir o pagamento no momento da cobrança.

Na METRIS, fornecemos pareceres jurídicos e toda a documentação necessária para que o profissional busque o ressarcimento judicial, se desejar. 

O que a Reforma Tributária muda nisso?

A ideia é justamente evitar distorções como a bitributação, que hoje atinge especialmente profissionais da saúde que atuam em várias cidades.

Como identificar se estou sofrendo bitributação?

  • Você atende em mais de uma cidade?
  • Está pagando taxas ou ISS mesmo já sendo optante do Simples?
  • Recebeu cobranças de prefeituras diferentes?

Se respondeu “sim” para alguma dessas perguntas, vale revisar sua documentação com uma contabilidade especializada.

O que fazer se você for cobrado duas vezes?

  • Não ignore notificações da prefeitura
    Cobrança indevida, se não for contestada, pode virar protesto ou processo, além disso, as multas podem chegar a 100% do valor.
  • Converse com a METRIS
    Explique onde você atende, como recebe e onde sua empresa está registrada. Assim, avaliamos o caso e já preparamos as provas para a eventual contestação.
  • Reúna provas e avalie contestação judicial
    Há decisões favoráveis que permitem reaver valores pagos nos últimos cinco anos.
     

CONCLUSÃO

A bitributação é mais comum do que parece, e os médicos PJ, por prestarem serviços em diferentes localidades, estão entre os alvos mais vulneráveis, mas vale lembrar que qualquer trabalhador que faz o recolhimento do ISS está sujeito à bitributação.

Enquanto você cuida da saúde das pessoas, a METRIS cuida da saúde da sua PJ. Com informação, acompanhamento próximo e apoio jurídico, enfrentamos esse problema antes que ele desfalque o seu faturamento.